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Aos 98 anos, Ilse Oppermann Mombach celebra a vida e compartilha a história da família em livro

Pedagoga dedicou 45 anos ao magistério e lançou a obra “Família Oppermann: Uma história de imigração e descendência”

05/08/2026 - 09h45min

Atualizada em 05/08/2026 - 09h54min

Ilse Oppermann Mombach com seu livro em mãos / Créd. Daniel Oliveira

Estância Velha – A pedagoga e professora de Matemática Ilse Oppermann Mombach completou 98 anos na última semana celebrando uma trajetória marcada pela dedicação ao ensino, à família e à preservação da memória. Autora do livro Família Oppermann: Uma história de imigração e descendência, ela transformou décadas de lembranças em uma obra que resgata a história de seus antepassados e das gerações que vieram depois.

INÍCIO DESAFIADOR NA EDUCAÇÃO

Ilse nasceu em 19 de fevereiro de 1928 e iniciou a carreira muito jovem. Após completar 17 anos, já estava em sala de aula no mês seguinte. Durante o primeiro ano de trabalho, lecionou sem receber salário. Quando foi oficialmente nomeada pelo Estado, assumiu uma escola no município de Barão, enfrentando uma rotina desafiadora.

Na época, fazia parte do trajeto de trem até Salvador do Sul e seguia a cavalo por cerca de duas horas até a escola. Com apenas 18 anos, morava sozinha na localidade e retornava para a casa dos pais apenas nos fins de semana, alugando um cavalo para percorrer o caminho de volta.

Após cerca de um ano e meio, conseguiu transferência em razão do casamento com Júlio Arsênio Mombach, com quem constituiu uma família. O casal viveu por 15 anos em Nova Prata, onde Ilse continuou lecionando. Mais tarde, por recomendação médica, a família precisou deixar a cidade devido ao clima frio, que agravava a bronquite asmática do marido.

CHEGADA EM ESTÂNCIA VELHA

Em 1961, o casal e os cinco filhos chegaram a Estância Velha para recomeçar a vida. Segundo Ilse, a decisão foi tomada após uma oração em busca de um novo rumo. A família adquiriu uma propriedade de três hectares, onde ela vive até hoje.

Mesmo com seis filhos para criar, sendo um deles ainda pequeno, Ilse ingressou na faculdade aos 34 anos. Formou-se três anos depois com excelente desempenho acadêmico, alcançando média de 9,8 e conquistando uma das três bolsas de estudos oferecidas pela instituição. A oportunidade permitiria estudar em qualquer país, mas ela optou por permanecer no Brasil para cuidar da filha caçula, que tinha cinco anos. Neste ano, ela celebra também os 60 anos de sua graduação.

UMA VIDA DEDICADA AO ENSINO E À FAMÍLIA

Ao longo de 45 anos de carreira, lecionou Matemática em diferentes instituições, entre elas o Colégio São Luís, em Novo Hamburgo, onde também ministrou aulas no curso de Contabilidade Comercial. Durante a vida no magistério, exerceu ainda funções ligadas à merenda escolar e ao pelotão de saúde. A aposentadoria veio em 1988.

O lançamento do livro ocorreu neste ano e reuniu cerca de 150 pessoas, incluindo um irmão que veio de Brasília especialmente para prestigiar o momento. Foram produzidos 300 exemplares, que Ilse faz questão de doar aos leitores.

Questionada sobre a sensação de lançar um livro aos 98 anos, ela resume em uma palavra: “realização”.

Além da paixão pela educação e pela escrita, Ilse também se dedica à pintura. Mais de 100 quadros produzidos por ela decoram a casa onde vive. Viúva há mais de três décadas, ela segue com memória admirável, cercada pelos cinco filhos, 13 netos e 13 bisnetos, mantendo viva a história de sua família para as próximas gerações.

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