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Casas Bahia fecha 298 unidades no país após prejuízo bilionário no segundo trimestre

16/08/2026 - 15h44min

Varejista acumula perdas de R$ 11,2 bilhões no primeiro semestre e enfrenta dificuldades para reforçar o caixa

A Casas Bahia atravessa um dos momentos mais delicados de sua situação financeira. A companhia apresentou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho de 2026 e informou o encerramento de 298 lojas em diferentes regiões do país. Os números fazem parte do balanço divulgado neste domingo (16).

O resultado representa uma forte piora em relação ao segundo trimestre do ano passado, quando a empresa havia registrado prejuízo de R$ 555 milhões. Somente nos seis primeiros meses de 2026, as perdas chegaram a R$ 11,2 bilhões.

Diante da dificuldade financeira, a companhia analisa medidas para reorganizar suas obrigações. Entre as possibilidades estudadas estão uma nova recuperação extrajudicial e, em um cenário mais grave, a recuperação judicial.

A auditoria realizada pela Ernst & Young (EY) também chamou atenção para a situação. A empresa não apresentou uma conclusão sobre as demonstrações financeiras da Casas Bahia devido às incertezas existentes em relação à capacidade de manutenção das atividades.

O balanço mostra ainda patrimônio líquido negativo de R$ 8,27 bilhões, além de capital circulante líquido negativo, fatores que contribuíram para as dúvidas levantadas pela auditoria.


Itens extraordinários pesaram no resultado

O prejuízo de R$ 10,1 bilhões não está relacionado apenas ao desempenho das operações. O resultado foi fortemente influenciado por lançamentos contábeis extraordinários.

Entre os principais impactos estão R$ 5,7 bilhões referentes à baixa de ativos fiscais diferidos, cerca de R$ 970 milhões relacionados à perda de valor de ágio e outros R$ 1,8 bilhão em provisões.

Essas últimas despesas estão ligadas, entre outros fatores, a alterações contratuais, mudanças na estrutura de funcionários e ao processo de encerramento de lojas.

Ainda assim, mesmo retirando esses efeitos extraordinários da conta, o resultado operacional continuou negativo. O prejuízo ajustado ficou em R$ 978 milhões no trimestre, acima dos R$ 555 milhões registrados um ano antes.


Tentativa de captar recursos não foi concluída

Outro problema enfrentado pela Casas Bahia foi a dificuldade para conseguir novos recursos. A companhia negociava uma operação de captação no exterior considerada importante para seu planejamento financeiro, mas o investidor que liderava a operação desistiu antes da conclusão.

Segundo a empresa, as tratativas já haviam avançado, incluindo a análise dos documentos e a etapa de avaliação financeira. Outras alternativas, como empréstimos de curto prazo para reforçar o caixa, também não foram concretizadas dentro do período esperado.

A Casas Bahia informa ter aproximadamente R$ 6,3 bilhões em créditos fiscais que poderiam ajudar na recuperação financeira. A dificuldade está em transformar esses valores em dinheiro disponível para a empresa.


Menos estoque nas lojas

A falta de recursos também afetou a capacidade de abastecimento da rede. O valor dos estoques caiu de R$ 5,4 bilhões em março para R$ 4,24 bilhões ao final de junho.

Apesar das dificuldades, a receita líquida cresceu 1,6% no segundo trimestre, chegando a aproximadamente R$ 7 bilhões. O desempenho operacional, porém, apresentou queda.

O Ebitda ajustado ficou em R$ 518 milhões, recuo de 9,4% na comparação anual. A margem Ebitda ajustada também diminuiu, passando de 8,3% para 7,4%.

O fechamento das 298 unidades, somado às perdas bilionárias e às dificuldades para obter novos recursos, faz parte de um processo de redução de custos e reorganização da companhia diante da atual crise financeira.

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