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Caso Banco Master coloca Mendonça e Moraes no centro de nova tensão no STF

Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro foram reveladas após quebra de sigilo; PGR questiona atuação de Mendonça na investigação O caso envolvendo o Banco Master provocou uma nova crise dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) após a divulgação de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes. Os diálogos foram encontrados pela Polícia Federal durante a quebra de sigilo do celular de Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo a instituição. O relatório teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça na terça-feira, 1º.
De acordo com o material divulgado, a PF identificou no celular de Vorcaro um contato salvo em nome de Moraes. Parte das mensagens não pôde ser recuperada porque o contato utilizava recursos que permitem o desaparecimento dos conteúdos. Em uma das conversas recuperadas, Vorcaro teria dito que estava tentando antecipar os investigadores. O relatório também apresenta referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, embora as menções a ele tenham ocorrido em conversas de terceiros com Vorcaro. Mendonça, que atualmente é o relator do caso Master no Supremo, defendeu que os novos elementos sejam analisados pelo plenário da Corte. Segundo o ministro, o plenário é a instância responsável por avaliar o conteúdo e decidir eventuais medidas. Ele também defendeu que a análise seja realizada de maneira pública e transparente.
A posição de Mendonça, porém, foi contestada pela Procuradoria-Geral da República. Paulo Gonet pediu a anulação da parte da investigação relacionada às conversas entre Vorcaro e Moraes. Para a PGR, Mendonça não poderia ter determinado diretamente à Polícia Federal o aprofundamento da apuração sobre um integrante do próprio Supremo sem autorização do plenário. Na avaliação de Gonet, eventual investigação envolvendo Moraes deveria ser encaminhada ao presidente da Corte, Edson Fachin, para posterior análise do colegiado. Enquanto a discussão sobre os diálogos avançava, o próprio Mendonça passou a ser citado no caso. Nesta quarta-feira, 2, o ministro confirmou que recebeu Vorcaro pessoalmente em março de 2025, antes de assumir a relatoria da investigação. Segundo Mendonça, o encontro ocorreu por iniciativa do empresário e foi uma única vez. Ele afirmou que apenas ouviu Vorcaro sobre uma ação relacionada a créditos de precatórios de interesse do Banco Master e que sua decisão no processo foi contrária à posição defendida pelo banqueiro.