Estado - País - Mundo

Flávio Dino autoriza novo inquérito de investigação da PF contra Lulinha

04/08/2026 - 14h36min

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, autorizou nesta terça-feira (4) a instauração de mais um inquérito da Polícia Federal (PF) para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Esta é a terceira investigação aberta contra ele em menos de uma semana.

A nova apuração pretende esclarecer a possível participação de um grupo suspeito de atuar em esquemas ilegais envolvendo setores da administração federal. Na mesma decisão, Dino também autorizou uma investigação paralela para identificar a origem de supostos vazamentos de informações sigilosas relacionadas ao caso.

As outras duas investigações foram autorizadas pelo ministro André Mendonça. A primeira analisa suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações ligadas ao Ministério da Saúde. De acordo com a Polícia Federal, Lulinha teria intermediado interesses do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Já o segundo inquérito busca verificar se houve favorecimento a empresários interessados em firmar contratos com a Dataprev e outros órgãos públicos. Nessa apuração, são investigados possíveis crimes de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As três investigações tiveram origem em provas reunidas durante a Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Segundo a PF, entretanto, os novos inquéritos não tratam diretamente dessas fraudes, mas de uma eventual atuação de Lulinha em benefício de empresários e lobistas junto ao governo federal.

Defesa afirma que irá colaborar

Em nota, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva informou que recebeu a decisão com serenidade e afirmou confiar na condução do processo pelo Supremo.

Os advogados disseram que a investigação será uma oportunidade para esclarecer todas as atividades profissionais e pessoais de Lulinha, reiterando que ele não praticou qualquer irregularidade. Também criticaram o que chamam de divulgação seletiva de informações sigilosas e defenderam que eventuais responsáveis pelos vazamentos sejam identificados.

Segundo a defesa, as investigações anteriores já demonstraram que Lulinha não teve envolvimento, direto ou indireto, em práticas ilícitas.

Governo acompanha desdobramentos

Nos bastidores do Palácio do Planalto, interlocutores afirmam que o presidente Lula mantém o entendimento de que qualquer suspeita deve ser investigada, independentemente de quem seja o alvo.

Aliados do presidente também sustentam que não há indícios de que Lulinha tenha utilizado sua proximidade com o governo para beneficiar terceiros. A avaliação é de que o assunto deve ganhar espaço durante o período eleitoral, mas que o posicionamento do presidente não será alterado.

Sair da versão mobile