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Tarifaço dos EUA entra em vigor e afeta exportações brasileiras e gaúchas
Sobretaxa de 25% atinge cerca de 18% das exportações do Brasil aos Estados Unidos e impacta quase metade dos embarques do RS
Entrou em vigor nesta quarta-feira (22), a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre milhares de produtos brasileiros. A medida, adotada pelo governo do presidente Donald Trump, atinge cerca de 18% das exportações do Brasil para o mercado norte-americano e deve gerar impactos significativos na indústria nacional e gaúcha.
Com a nova cobrança, a tarifa média aplicada pelos EUA sobre produtos brasileiros sobe de 11,7% para 18,2%. Segundo a plataforma Global Trade Alert, o Brasil passa a ser o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China.
IMPACTO NO RIO GRANDE DO SUL
O Rio Grande do Sul está entre os estados mais afetados. Conforme a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), 48,2% das exportações gaúchas para os Estados Unidos serão atingidas pela nova tarifa. Os EUA são o segundo principal destino das vendas externas do Estado.
Embora o governo norte-americano tenha ampliado a lista de exceções, apenas cerca de 2% das exportações gaúchas ficaram isentas, principalmente alguns produtos de couro e pescado.
PRODUTOS MAIS AFETADOS
- Máquinas e equipamentos
- Equipamentos elétricos
- Calçados
- Móveis
- Tabaco
- Produtos metalúrgicos
- Outros bens manufaturados
Além disso, 36,9% das exportações gaúchas já estavam sujeitas às tarifas sobre aço, alumínio e derivados. Com isso, a Fiergs estima que 85,1% dos embarques do Estado aos EUA passam a sofrer algum tipo de sobretaxa.
SETORES AFETADOS NO BRASIL
- Eletroeletrônicos
- Máquinas e equipamentos
- Autopeças
- Calçados
- Madeira
- Móveis
- Produtos cerâmicos
- Açúcar
- Etanol
- Tabaco
- Pneus
- Alumínio
A nova tarifa alcança aproximadamente 2,3 mil produtos no Brasil. Entre os itens que continuam sujeitos à cobrança estão combustível, transformadores elétricos, tratores, motoniveladoras, madeira serrada e compensada, granito, chapas de alumínio e calçados de couro.
Cerca de 700 produtos ficaram de fora da medida, número superior aos 615 previstos durante as negociações entre os dois países.
O governo federal estima que as exportações afetadas somem cerca de US$ 7,4 bilhões, enquanto cálculos da ApexBrasil e da Amcham Brasil apontam impacto entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões.
São Paulo concentra 41,6% do valor das exportações brasileiras afetadas pela medida. Junto com Santa Catarina, responde por 52% do impacto total.
Santa Catarina, porém, apresenta a maior dependência do mercado norte-americano, com 68% das exportações para os EUA atingidas pela nova tarifa.
MOTIVOS APRESENTADOS PELOS EUA
A medida foi baseada em investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que aponta supostas práticas comerciais desleais do Brasil.
Segundo o USTR, a decisão foi baseada em supostas práticas comerciais desleais do Brasil. Entre as justificativas apresentadas estão a regulação de plataformas digitais e do sistema Pix, o acesso de produtores norte-americanos ao mercado brasileiro de etanol, o combate ao desmatamento ilegal e à corrupção, a proteção da propriedade intelectual e os acordos comerciais firmados pelo Brasil com México e Índia.
O governo brasileiro rejeita essas justificativas e afirma que a decisão tem motivação política. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, os Estados Unidos exigiram maior abertura do mercado brasileiro sem oferecer contrapartidas.
MEDIDAS ANUNCIADAS PELO BRASIL
Como resposta, o governo federal informou que retomará programas de apoio às empresas afetadas, com linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de incentivos para ampliar as exportações a novos mercados.
A ApexBrasil também anunciou que divulgará, em agosto, um plano de R$ 130 milhões para diversificar as exportações brasileiras, com foco na União Europeia, países do Sudeste Asiático e mercados da Ásia Central.
EXCEÇÕES
A medida não será aplicada a todos os produtos brasileiros. O governo dos Estados Unidos divulgou uma lista com cerca de 2,2 mil itens isentos da tarifa de 50%. Entre as principais exceções estão carne bovina, café e especiarias, aeronaves civis e suas peças, suco de laranja, frutas e nozes, minérios, combustíveis e produtos químicos e farmacêuticos.
