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Tatuador é preso por suspeita de estupro e investigado em ao menos 19 ocorrências envolvendo violência contra mulheres no RS

A Polícia Civil prendeu preventivamente, na quinta-feira (30), o tatuador Vinicius Roig, de 47 anos, investigado por suspeita de estupro e por uma série de crimes contra mulheres no Rio Grande do Sul. Conforme as investigações, ele aparece como suspeito em pelo menos 19 ocorrências registradas nos últimos dois anos em municípios como Torres, Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul e Cachoeirinha.
O caso ganhou maior repercussão após a professora Michele Duarte, moradora de Torres, tornar público nas redes sociais um relato sobre a violência que afirma ter sofrido durante o relacionamento com o investigado. Segundo ela, a relação começou de forma tranquila, mas, com o tempo, passou a ser marcada por episódios de violência doméstica. Após o término, Michele registrou ocorrência policial e decidiu compartilhar sua história.
A publicação chamou a atenção de Juliana Roig, irmã do investigado, que manifestou apoio à professora e compartilhou o relato. A partir disso, outras mulheres passaram a procurar uma página criada nas redes sociais, denominada Verdade Seja Dita, onde também relataram experiências semelhantes envolvendo o tatuador.
De acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), os depoimentos incluem denúncias de agressões físicas, violência psicológica, perseguição, humilhações e violência sexual. A promotoria afirma que, neste momento, já identificou mais de 20 possíveis vítimas, considerando tanto os relatos recebidos pela página quanto registros anteriores existentes.
O Ministério Público já apresentou três denúncias contra Vinicius Roig por crimes praticados contra mulheres. A primeira foi protocolada em setembro do ano passado, a segunda em abril deste ano e a terceira em junho. Todas aguardam análise do Poder Judiciário.
Em nota, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul informou que não divulga detalhes sobre os processos em razão do segredo de Justiça.
Além das ações já em andamento, a Polícia Civil conduz um inquérito em Torres para investigar a suspeita de estupro contra a última ex-companheira do investigado. Segundo o delegado Marcos Veloso, o trabalho consiste em reunir provas e ouvir as mulheres que procuraram as autoridades.
“A gente precisa acolher essas vítimas da melhor maneira possível para que elas consigam relatar histórias muito difíceis, permitindo o avanço das investigações e a instauração dos inquéritos”, afirmou o delegado.
Defesa
Em manifestação publicada nas redes sociais antes da prisão, Vinicius Roig afirmou reconhecer que existem fatos que precisam ser esclarecidos, mas sustentou que diversas informações divulgadas sobre o caso seriam distorcidas ou retiradas de contexto.
O investigado também registrou ocorrência por calúnia contra algumas das mulheres e ingressou com uma ação judicial para retirar do ar a página que reúne os relatos. O pedido liminar foi negado pela Justiça. Na decisão, a magistrada entendeu que as publicações possuem “substrato fático concreto”, indicando que os relatos apresentados não foram feitos sem fundamento.
As investigações seguem em andamento sob responsabilidade da Polícia Civil, com acompanhamento do Ministério Público. Michele Duarte, que possui medida protetiva contra o investigado, afirma esperar que os relatos apresentados resultem na responsabilização do suspeito perante a Justiça.