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Aliados de Lula intensificam críticas ao mercado financeiro às vésperas de reunião do Copom
Integrantes do governo federal e do Partido dos Trabalhadores intensificaram as críticas ao mercado financeiro após a forte desvalorização de ativos brasileiros registrada na semana seguinte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As manifestações ocorrem às vésperas da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por definir a taxa básica de juros da economia.
Em reportagem publicada nesta segunda-feira (2), a Folha de S.Paulo relata que integrantes do governo passaram a classificar como especulativa a pressão de agentes financeiros por medidas de ajuste fiscal. O senador eleito pela Bahia e ex-ministro da Casa Civil Rui Costa afirmou que o setor financeiro também precisa considerar os interesses do país na formação de preços e expectativas econômicas.
No sábado (31), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, chamou de chantagem a pressão por cortes de despesas e defendeu que eventuais medidas de economia atinjam privilégios, desonerações fiscais, supersalários e emendas parlamentares, em vez de programas sociais.
O presidente Lula também divulgou um vídeo no domingo (1º) para negar a possibilidade de cortes nos programas sociais. A ex-ministra e dirigente petista Gleisi Hoffmann, por sua vez, criticou analistas do mercado financeiro e afirmou que os interesses dos investidores não devem ser confundidos com a racionalidade econômica.
A reportagem informa que o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, chegou a alcançar a marca de 200 mil pontos em outubro, mas recuou 17,5% na semana seguinte à eleição. Foi a maior queda semanal desde março de 2020, período marcado pelo início da pandemia de covid-19.
O cenário também influencia as expectativas para a política monetária. O Copom se reúne nesta terça-feira (3) e na quarta-feira (4), quando anunciará a decisão sobre a Selic, atualmente em 13,75% ao ano. A maioria dos economistas consultados pelo mercado espera que o Banco Central interrompa o ciclo de redução dos juros e mantenha a taxa no patamar atual.
Entre os fatores citados pelos agentes financeiros estão a desvalorização do câmbio, as incertezas sobre as contas públicas e a elevação dos juros futuros. O governo, por outro lado, argumenta que juros elevados dificultam o crescimento econômico, encarecem o crédito e contribuem para a inadimplência de famílias e empresas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que o governo esteja estudando tabelar juros. O presidente do PT, Edinho Silva, também afirmou que apenas o ministro da Fazenda fala oficialmente em nome do governo sobre política econômica.
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