Geral

Comprimido diário mantém câncer de pulmão controlado por sete anos em mais da metade dos pacientes, aponta estudo

02/11/2026 - 07h31min

Um medicamento em forma de comprimido, tomado uma vez ao dia, apresentou resultados promissores no tratamento de um tipo específico de câncer de pulmão avançado. Após sete anos de acompanhamento, 55% dos pacientes participantes de um estudo internacional permaneceram vivos e sem progressão da doença. O resultado foi apresentado em pesquisa publicada na revista científica Annals of Oncology e divulgado pelo g1 neste domingo (1º).

O medicamento é o lorlatinibe, comercializado no Brasil com o nome Lorbrena. A pesquisa, chamada CROWN, acompanhou 296 pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas avançado e uma alteração genética conhecida como rearranjo ALK. Segundo os pesquisadores, o resultado representa um avanço importante no controle prolongado da doença.

O tratamento, entretanto, não é indicado para todos os pacientes com câncer de pulmão. A alteração genética ALK está presente em aproximadamente 3% a 7% dos casos do tipo mais comum da doença. Por isso, a identificação dessa característica depende de exames moleculares específicos.

Avanço no tratamento

O lorlatinibe pertence à categoria das chamadas terapias-alvo, desenvolvidas para bloquear mecanismos específicos que estimulam o crescimento das células cancerígenas. Uma das características do medicamento é sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, permitindo também atuar contra a progressão da doença no cérebro.

Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que os resultados ampliam as perspectivas de sobrevida e qualidade de vida para pacientes que apresentam a alteração genética. Apesar disso, o tratamento pode provocar efeitos adversos, incluindo alterações cognitivas e de humor.

Alto custo dificulta acesso

Apesar dos resultados, o preço representa um obstáculo. Cada caixa com 30 comprimidos pode custar aproximadamente R$ 37 mil, conforme a tabela de preços citada na reportagem. O medicamento não está incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A tecnologia já foi analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), mas não recebeu recomendação favorável devido à avaliação de custo-efetividade.

No Brasil, o câncer de pulmão permanece entre os tumores que mais provocam mortes. O avanço científico reforça a importância do diagnóstico preciso e dos exames genéticos, mas também evidencia o desafio de ampliar o acesso da população a tratamentos inovadores.

Sair da versão mobile