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Copom eleva projeções de inflação para 5,6% em 2026 e 4,7% em 2027; próxima reunião será em dezembro

05/11/2026 - 07h57min

O Comitê de Política Monetária do Banco Central detalhou nesta quarta-feira (4) as razões para interromper o ciclo de redução da taxa básica de juros e manter a Selic em 13,75% ao ano.

Na atualização publicada pela Folha de S.Paulo às 20h12, foram apresentados novos detalhes das projeções de inflação utilizadas pelo comitê.

No cenário de referência, a estimativa para o IPCA de 2026 passou de 5,2% para 5,6%.

Para 2027, a projeção aumentou de 3,9% para 4,7%, acima do teto de 4,5% estabelecido pelo sistema de metas de inflação.

Já a projeção para o segundo trimestre de 2028 ficou em 3,5%, considerando os efeitos dos choques de oferta incorporados ao cenário econômico.

A decisão de manter a Selic foi unânime entre os integrantes do comitê.

Banco Central aponta cenário internacional mais adverso

O Copom afirmou que o ambiente internacional passou a ser considerado mais adverso em razão do prolongamento da guerra no Oriente Médio, dos efeitos sobre os preços do petróleo e da manutenção de juros elevados em economias desenvolvidas.

No cenário doméstico, o comitê identificou desaceleração mais acentuada da atividade econômica.

Apesar disso, o mercado de trabalho continua resiliente, embora já existam sinais de desaquecimento.

Outro ponto de preocupação é a inflação de serviços, que poderá permanecer pressionada caso a atividade econômica continue operando acima de seu potencial.

O Banco Central também citou o câmbio mais depreciado e a situação fiscal brasileira entre os fatores que podem dificultar a convergência da inflação à meta.

Próxima reunião será em dezembro

O Copom volta a se reunir nos dias 8 e 9 de dezembro, no último encontro de política monetária previsto para 2026.

O comitê não anunciou quando pretende retomar os cortes nem indicou a possibilidade de aumentar a taxa básica de juros.

A sinalização é de manutenção de uma política monetária suficientemente restritiva até que existam condições mais favoráveis para a convergência da inflação à meta.

Reflexos para empresas e consumidores

As novas projeções reforçam a perspectiva de que o crédito continuará caro durante os próximos meses.

Para empresas, especialmente pequenos e médios negócios, a manutenção dos juros elevados representa maior dificuldade para financiar estoques, investimentos e capital de giro.

Para as famílias, o cenário pode prolongar o custo elevado de financiamentos, empréstimos e compras parceladas.

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