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Da infância à vida adulta: há 42 anos Jaque escreve sua história na APAE Ivoti
Iniciou hoje, 21, a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, movimento promovido por entidades de todo Brasil. A data busca dar visibilidade aos direitos, às potencialidades e aos desafios enfrentados por esse público, além de reforçar a importância da inclusão na escola, no trabalho e na sociedade. O tema de 2026 é “Deficiência não define. Oportunidade transforma. Inclua nossa voz!”.
Em Ivoti, essa luta diária tem o apoio da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), que em outubro completa 47 anos de atuação. A instituição atende mais de 140 pessoas de quatro municípios da região: Ivoti, Presidente Lucena, São José do Hortêncio e Lindolfo Collor. Entre os atendidos está Jaqueline Tatiane Schorn, de 43 anos, moradora de São José do Hortêncio. Conhecida como Jaque, ela frequenta a APAE desde 1 ano e 2 meses. Sempre acompanhada da mãe, Vali Erhart Schorn, Jaque iniciou os atendimentos com fisioterapia e fonoaudiologia. Hoje, além dessas terapias, participa também de grupos de convivência na instituição.
Vali tinha 25 anos quando Jaque e o irmão gêmeo, Jacson, nasceram e recorda com emoção a caminhada ao lado da filha. “Estamos aqui na APAE há muito tempo e os profissionais são muito bons. A Jaque sabe os dias que vem na APAE e fica cuidando o horário do transporte passar com muita expectativa”, contou. Desde o nascimento, mãe e filha aprenderam juntas a lidar com os desafios. “Ela é minha alegria”, resumiu Vali.
Uma surpresa
O dia 3 de agosto de 1983 ficou marcado na história da família. Mãe de César, com 5 anos na época, Vali sequer sabia que esperava gêmeos. “O César sempre pedia um irmãozinho para brincar e uma irmãzinha para fazer companhia para a mãe. Quando fui para o hospital para o nascimento, ainda não sabia que seriam dois. Expliquei pro César que eu ia trazer para casa o bebê que os médicos nos dessem. No fim, eram realmente dois bebezinhos novos para a nossa família”, relembrou.
Como ninguém sabia da gravidez gemelar, Jaque acabou permanendo tempo demais no útero, o que pode ter causado a paralisia cerebral. Os médicos, na época, diziam que ela não sobreviveria nem uma semana. A cada consulta, preparavam a mãe para a pior notícia. Mas a previsão não se concretizou. “Meu coração dizia que ela ia ficar comigo. Deus deu ela pra mim porque sabia que eu ia cuidar”, finalizou Vali.
Da infância à vida adulta, Jaque segue escrevendo sua história na APAE, onde encontrou, ao longo de 42 anos, mais do que atendimento: encontrou acolhimento, vínculos e um espaço para ser, conviver e participar. A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla segue até o dia 28 de agosto com ações de conscientização em todo o país.

Jaqueline com a mãe, Vali e o irmão gêmeo Jacson

Jaque vestida de coelhinha em uma atividade de Pascoa da Associação

Atendidos da APAE em um passeio ao Zoológico de Sapucaia

Ação de sensibilização realizada por atendidos e profissionais da APAE
