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Justiça decreta prisão de professoras acusadas de tortura e lesão corporal em creche
03/03/2026 - 15h16min
Atualizada em 03/03/2026 - 15h19min
Estado- O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com apoio da Brigada Militar, prendeu preventivamente, nesta terça-feira (3), duas mulheres responsáveis por uma escola infantil em Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre. As prisões ocorreram nos municípios de Canoas e Alvorada.
As investigadas, que também atuavam como professoras, são suspeitas de sedar crianças de dois a cinco anos sem prescrição médica, além de praticar agressões físicas e psicológicas e outros maus-tratos. A medida foi solicitada pela promotora de Justiça Karen Mallmann, da 3ª Promotoria de Justiça Criminal de Alvorada, após a conclusão de investigação que reuniu depoimentos, imagens e documentos apontando a gravidade dos fatos.
As apurações começaram depois que mães de alunos procuraram a Delegacia de Polícia ao tomarem conhecimento das suspeitas. O inquérito aponta que as investigadas administravam medicamentos prescritos para outras crianças com o objetivo de mantê-las dormindo ou mais “calmas”. Também foram relatados castigos, negligência quanto à higiene e alimentação e condutas consideradas degradantes. Depoimentos e imagens anexados ao pedido de prisão mostram crianças aparentemente sedadas, compartilhamento inadequado de utensílios e mensagens entre funcionárias sugerindo o aumento de doses de medicamentos.
Segundo o MPRS, além dos indícios de autoria e materialidade, ficou evidenciado risco à ordem pública e à instrução criminal, uma vez que as suspeitas teriam tentado influenciar testemunhas durante a investigação. Diante da gravidade dos crimes — que incluem lesão corporal, infrações previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a apuração do crime de tortura — a prisão preventiva foi deferida pela Justiça para interromper as práticas e resguardar as vítimas. A ação integra a chamada “Operação Dose de Silêncio”.
De acordo com a promotora Karen Mallmann, a gravidade concreta dos delitos, praticados contra crianças de tenra idade cujos pais confiaram seus cuidados à instituição, foi determinante para o pedido de prisão. Já o coordenador estadual do GAECO, promotor Rogério Meirelles Caldas, destacou a atuação integrada do grupo no apoio às investigações criminais e agradeceu o suporte da Brigada Militar na operação.
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