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Rombo nas contas do RS pode chegar a R$ 7 bilhões em 2027; risco de aperto ameaça investimentos e serviços públicos

06/11/2026 - 07h36min

A situação financeira do Rio Grande do Sul virou motivo de divergência entre a atual administração de Eduardo Leite (PSD) e a equipe do governador eleito Luciano Zucco (PL). Durante audiência pública realizada nesta quinta-feira (5), na Assembleia Legislativa, o relator do orçamento de 2027, deputado Claudio Branchieri (PL), afirmou que o déficit estadual poderá alcançar R$ 7 bilhões no próximo ano, acima dos R$ 4,8 bilhões projetados pelo governo atual.

O Projeto de Lei Orçamentária Anual apresentado pelo Palácio Piratini prevê receitas de R$ 95,1 bilhões e despesas de R$ 99,2 bilhões. A diferença representa um déficit estimado em aproximadamente R$ 4 bilhões na proposta oficial, embora o governo estadual também tenha apresentado projeções de déficit próximas de R$ 4,8 bilhões em seus demonstrativos.

A equipe de transição considera que algumas previsões de receita e despesas precisam ser revistas. Também questiona a disponibilidade efetiva de aproximadamente R$ 14 bilhões mantidos em contas vinculadas do Estado, recursos que possuem restrições legais para utilização.

Durante a audiência, Branchieri mencionou a possibilidade de atrasos nos salários dos servidores públicos em 2027 diante do cenário fiscal. Posteriormente, porém, afirmou que não pretende permitir que isso aconteça.

A atual secretária estadual da Fazenda, Pricilla Santana, contestou a avaliação e afirmou que não existe risco de atraso no pagamento dos salários. Segundo ela, a arrecadação concentrada nos primeiros dez dias de cada mês permite manter os compromissos com servidores e fornecedores. A secretária reconheceu, entretanto, que uma eventual frustração de receitas poderá reduzir a capacidade de investimento do Estado.

O governo estadual sustenta que o Rio Grande do Sul vem registrando superávits nos últimos cinco anos e afirma que deverá encerrar a atual gestão com os salários em dia e aproximadamente R$ 14 bilhões em contas vinculadas.

A proposta orçamentária prevê R$ 6,36 bilhões em investimentos amplos e destina R$ 1,97 bilhão ao Fundo do Plano Rio Grande. O projeto ainda será analisado pelos deputados estaduais, que poderão apresentar emendas antes da votação.

O debate tem impacto direto sobre a população gaúcha. Um orçamento mais apertado pode reduzir a capacidade de investimento em hospitais, escolas, estradas e infraestrutura, além de limitar a margem do próximo governo para ampliar serviços públicos.

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